Vinte anos depois da tragédia que matou 86 toneladas de peixes, rio no RS ainda enfrenta desafios contra a poluição

  • 09/10/2026
(Foto: Reprodução)
Vinte anos depois da tragédia que matou 86 toneladas de peixes, como está rio no RS Em outubro de 2006, um episódio de contaminação provocou a morte de milhões de peixes e afetou centenas de famílias que dependiam da pesca para sobreviver no Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul. Ao todo, 86 toneladas de peixes mortos foram retiradas das águas. Duas décadas após uma das maiores tragédias ambientais já registradas no estado, as marcas deixadas pela mortandade de peixes seguem presentes. Mesmo com avanços na fiscalização, especialistas alertam que o rio continua vulnerável à poluição. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Com cerca de 190 quilômetros de extensão, o Rio dos Sinos nasce nas encostas de Caraá e deságua no Delta do Jacuí, em Canoas. Ao longo do trajeto, cruza 30 municípios de uma das regiões mais urbanizadas e industrializadas do estado, onde vivem quase 1,5 milhão de pessoas. Foi em um trecho entre Sapucaia do Sul e Nova Santa Rita que ocorreu o desastre que chocou moradores da região. Na época, quem vivia às margens do rio acordou diante de uma cena impressionante: a superfície da água estava tomada por peixes mortos. "Não se via água", relembra o balseiro Clausi Silva da Rosa. Além do impacto ambiental, mais de 700 famílias ligadas à atividade pesqueira sofreram as consequências do episódio. Mesmo passados 20 anos, a reparação dos danos ainda é discutida na Justiça. Duas ações movidas pelo Ministério Público seguem em andamento. Em uma delas, foi estabelecida uma condenação que soma mais de R$ 8,3 milhões por danos morais coletivos, mas a decisão ainda é alvo de recursos. A segunda ação aguarda julgamento após ser encaminhada para sentença. Descarte irregular Em outubro de 2006, uma contaminação provocou a morte de milhões de peixes no Rio dos Sinos Reprodução/ RBS TV Os resíduos tóxicos chegaram ao Rio dos Sinos por meio do Arroio Portão. A contaminação ocorreu durante a piracema, período de reprodução dos peixes, o que ampliou os impactos sobre a fauna aquática. Segundo a presidente do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos, Viviane Machado, o episódio aconteceu em um contexto em que o rio já apresentava problemas de qualidade da água. "Naquele caso, foi um descarte irregular de uma indústria. Com a situação do Rio dos Sinos, ele acaba não conseguindo depurar esses descartes, ele já está comprometido. Então, qualquer descarte, ele ocasiona um problema maior", diz Machado. Segundo Machado, a entrada de nutrientes favoreceu a proliferação de algas, que consumiram o oxigênio disponível e provocaram a morte dos peixes por asfixia. Emergência ambiental Em outubro de 2006, uma contaminação provocou a morte de milhões de peixes no Rio dos Sinos Reprodução/ RBS TV Para o biólogo Uwe Schulz, o episódio evidenciou falhas na capacidade de resposta diante de emergências ambientais. Ele afirma que os procedimentos adotados na época apresentaram limitações, tanto na coleta de amostras de água quanto na análise dos peixes atingidos. "É um marco que mostra que a gente não está preparado adequadamente para esse tipo de evento", comenta Schulz. Enquanto isso, o Rio dos Sinos continua figurando entre os rios mais poluídos do país. Segundo Danielle Martins, coordenadora do Laboratório de Vulnerabilidade, Riscos e Sociedade da Universidade Feevale, o principal problema segue sendo a chegada de esgoto sem tratamento. "É fundamental que a gente alcance o marco do saneamento com melhores índices de tratamento de esgoto para melhorar a qualidade desse rio", comenta Martins. Apesar desse cenário, especialistas apontam que o monitoramento ambiental é mais rigoroso hoje. Segundo Uwe Schulz, a maior parte das indústrias opera dentro das exigências legais e há acompanhamento constante por parte dos órgãos ambientais. Ainda assim, ele destaca que acidentes e situações inesperadas continuam representando riscos. "A maior parte das indústrias trabalha dentro da legislação ambiental. A FEPAM tem um programa de monitoramento rigoroso. Então, o dia a dia não é o problema. O problema são eventos imprevisíveis, acidentes", pontua Schulz. A presidente do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos alerta que eventos de mortandade de peixes ainda são observados em períodos de estiagem, quando o nível do rio diminui e os poluentes ficam mais concentrados. Embora não cheguem às proporções registradas em 2006, esses episódios indicam que os problemas estruturais do Rio dos Sinos permanecem sem solução definitiva. "Todo verão, quando a concentração dos poluentes está acontecendo porque baixa o nível dos sinos, a gente consegue perceber, às vezes, uma outra região, algum tipo de peixe boiando por conta dessa falta de oxigênio", observa Machado. Em outubro de 2006, uma contaminação provocou a morte de milhões de peixes no Rio dos Sinos Reprodução/ RBS TV VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/10/09/vinte-anos-depois-da-tragedia-que-matou-86-toneladas-de-peixes-rio-no-rs-ainda-enfrenta-desafios-contra-a-poluicao.ghtml


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