'Não dá pra servir farofa em restaurante com ventilador de teto': veja frases épicas de Guerrinha, que morreu aos 70 anos, no RS
28/10/2026
(Foto: Reprodução) Adroaldo Guerra Filho, o Guerrinha, morre aos 70 anos, em Porto Alegre
Adroaldo Guerra Filho, jornalista esportivo do Grupo RBS, morreu nesta quarta-feira (28), aos 70 anos — ele estava internado no Instituto de Cardiologia, em Porto Alegre, devido a uma infecção pulmonar que evoluiu para um quadro generalizado.
Comentarista da Rádio Gaúcha, Guerrinha ficou marcado pela versatilidade, carisma e pelas frases de efeito tão engraçadas quanto sarcásticas.
Uma das famosas expressões de Guerrinha era: 'Não dá pra servir farofa em restaurante com ventilador de teto'.
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Uma das tiradas mais famosas foi apelidada por Pedro Ernesto Denardin como "Lei Guerrinha". Ela tenta explicar aquelas mudanças inexplicáveis feitas por treinadores de futebol que fazem trocas quando tudo parece correr bem.
'Se algo deu certo, então tem que mudar', diz o artigo único da Lei.
'Se beleza fosse crime, eu seria inocente' era outra expressão usada por Guerrinha.
Adroaldo Guerra Filho, o Guerrinha
Raul Krebs/Grupo RBS
Chegada no rádio
A transformação em um homem de rádio iniciou-se em 1999, quando a Gaúcha lançou, sob a grife de Paulo Roberto Falcão, o programa de entrevistas "Falcão na Gaúcha", coapresentado por ele.
Em 2014, três anos após a saída do ex-jogador da emissora, foi criado o "Paredão do Guerrinha", atração com a mesma ideia e tendo Guerrinha como apresentador.
Bem antes, na virada do milênio, a atuação profissional no meio impresso tinha ganhado um capítulo importante.
Em 17 de abril de 2000, quando o Diário Gaúcho começou a circular, ele estreou a coluna "Guerra Total". A principal marca de seu espaço era a perguntinha, questionamento instigante e irreverente que fazia o leitor refletir sobre o tema do momento.
A estreia na TV
A entrada na TV foi tão inusitada quanto suas frases. No começo dos anos 2000, a RBS TV transmitia o "Lance Final" nas noites de domingo.
Apresentado por Pedro Ernesto Denardin, a bancada contava com Luiz Carlos Silveira Martins, o Cacalo, como representante gremista, e Ibsen Pinheiro, como representante colorado. Ibsen deixou o programa para se dedicar à vida política. Guerrinha foi o escolhido para substituí-lo.
Duas questões se impunham naquele momento. Um era que ele não se via como alguém que trabalharia na televisão. Além de não ter intimidade com a câmera, gostava de brincar que se beleza fosse crime, ele era inocente.
Convocado para fazer um teste, utilizou todas as artimanhas possíveis para não ser aprovado. Sua intenção não funcionou. Foi chamado para conversar com Nelson Sirotsky, então presidente da RBS.
Ter de se identificar como colorado era visto como encrenca, afinal, restaurante que serve farofa não tem ventilador de teto. A pergunta feita a ele era simples e tinha duas opções.
— O Nelson me perguntou assim: "Tu preferes ser identificado com a torcida colorada na RBS ou isento em outro lugar?". Minha resposta foi rápida: "A que horas tenho que estar lá?" — costumava contar quando questionado sobre o assunto.
Chegada ao Sala de Redação
A estreia no "Sala de Redação" não tardou. Em 2004, foi convocado para cobrir as férias de Kenny Braga. Guerrinha sentou na bancada do mais tradicional programa de debates esportivos do RS para não sair mais.
Como ele dizia, não se vai para guerra com uma escova de dentes. Ele foi para a bancada munido com um arsenal de frases para participar da acalorada troca de ideias.
Uma das tiradas mais famosas foi apelidada por Pedro Ernesto como "Lei Guerrinha". Ela tenta explicar aquelas mudanças inexplicáveis feitas por treinadores de futebol que fazem trocas quando tudo parece correr bem.
"Se algo deu certo, então tem que mudar", diz o artigo único da Lei.
As sacadas oportunas e as opiniões ferinas casaram com o perfil do programa e o transformaram em um dos participantes mais queridos pelo público. O receio de sofrer retaliações por se identificar como colorado se esfarelou. A acidez nos comentários para os dois lados fez com que ganhasse admiradores entre vermelhos e azuis.
Frases marcantes de Guerrinha:
'Não pode querer ir pra guerra com secador de cabelo'
'Não dá pra servir farofa em restaurante com ventilador de teto'
'Dormindo no gelo e acordando suado'
'Tu comprou o cavalo pra ler ou pra correr? Porque se for pra ler está desfeito o negócio'
'Eu não sei nada de tudo, eu nunca consegui falar com o cavalo, eu paro, falo com ele e ele não me responde. Futebol é meu forte.'
Na RBS desde 1983
O retorno ao Grupo RBS ocorreu em 1983, quando, a convite de Emmanuel Mattos, passou a escrever sobre assuntos hípicos em Zero Hora. Embora assumisse o conhecimento sobre o prado, afirmava que ganhou espaço porque ninguém queria tratar do tema.
O espaço dedicado ao turfe foi diminuindo até que, em 1993, a cobertura foi abandonada. A partir dali, passou a trabalhar com algo que muitos queriam tratar. Guerrinha passou a fazer a cobertura do Inter em Zero Hora.
Despedida
A cerimônia de despedida ocorrerá no Crematório Metropolitano em Porto Alegre. O velório será das 14h às 19h na sala Ecumenica.
Guerra deixa a esposa, Kátia, as filhas Michelle e Karine e três netos.
Grupo RBS emite nota de pesar
"Com profundo pesar, comunicamos o falecimento do colega Adroaldo Guerra Filho, o Guerrinha, aos 70 anos, em decorrência de uma infecção pulmonar que evoluiu para um quadro generalizado.
Um dos mais celebrados comentaristas esportivos do Rio Grande do Sul, o comunicador era uma referência dentro e fora da RBS, tendo o bom humor como uma de suas marcas.
Guerrinha começou sua carreira na comunicação no mundo das corridas de cavalo, com passagem pelo extinto Jornal Hoje, da RBS, Folha da Manhã e Correio do Povo. Em 1983, retornou à empresa para escrever sobre o tema em Zero Hora.
Dez anos depois, migrou para a cobertura de futebol, com foco no Internacional, seu time do coração. Ganhou os microfones da Gaúcha em 1999 e, no ano seguinte, estreou a coluna Guerra Total, no Diário Gaúcho.
Sua história com o Sala de Redação começou em 2004, quando foi convocado a cobrir as férias de Kenny Braga. Guerrinha sentou-se na bancada do mais tradicional programa de esporte do Estado para não sair mais: tornou-se um dos participantes queridos da audiência. Fez história com suas frases de efeito e conquistou colorados e gremistas com seu carisma, ampliando alcance e popularidade por meio das redes sociais.
O Grupo RBS lamenta a perda desse grande colega e comunicador e homenageia seu legado para o jornalismo esportivo. A empresa se solidariza com os familiares e amigos, especialmente a esposa, Kathia, as filhas, Michelle e Karine, e os netos, João Vitor, Manoela e Eduarda."
Adroaldo Guerra Filho, o Guerrinha
Raul Krebs/Grupo RBS e Andréa Graiz/Grupo RBS
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