MP anuncia nesta segunda-feira conclusão das investigações do caso da Família Aguiar, desaparecida há 100 dias no RS
04/05/2026
(Foto: Reprodução) Áudio com IA: vítimas desaparecidas no RS foram atraídas por áudio falso
Exatamente 100 dias depois do desaparecimento de Silvana de Aguiar, o Ministério Público do Rio Grande do Sul deve anunciar a conclusão das investigações do caso. Nesta segunda-feira, o MP realizará uma coletiva, a partir das 9h, para tratar do tema, em Porto Alegre.
🔎 Silvana de Aguiar, 48 anos, e os pais dela, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, não são vistos desde 24 e 25 de janeiro. O policial militar Cristiano Domingues Francisco, ex-marido de Silvana, é o principal suspeito.
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Seis pessoas foram indiciadas pela Polícia Civil. Cristiano poderá responder por até nove crimes. Sua esposa, seu irmão, sua mãe, sua sogra e um amigo também foram indiciados.
O inquérito policial indiciou Cristiano por feminicídio contra Silvana e duplo homicídio triplamente qualificado contra os pais dela. Apesar de nunca ter encontrado os corpos, a polícia acredita que Silvana, Isail e Dalmira estejam mortos.
Cristiano foi indiciado por nove crimes:
Feminicídio – Pena: Reclusão, de 20 a 40 anos;
Duplo Homicídio Triplamente Qualificado – Pena: Reclusão, de 12 a 30 anos;
Ocultação de Cadáver – Pena: Reclusão, de 1 a 3 anos, e multa;
Abandono de Incapaz – Pena: Reclusão, de 2 a 5 anos;
Falsidade Ideológica – Pena: Reclusão, de 1 a 5 anos;
Furto Qualificado – Pena: Reclusão, de 2 a 8 anos, e multa;
Fraude Processual – Pena: Detenção, de 6 meses a 4 anos, e multa;
Falso Testemunho – Pena: Reclusão, de 2 a 4 anos, e multa;
Associação Criminosa – Pena: Reclusão, de 1 a 3 anos.
Milena Ruppenthal Domingues, atual esposa de Cristiano, foi indiciada por ocultação de cadáver, furto qualificado, falso testemunho, fraude processual e associação criminosa.
Wagner Domingues Francisco, irmão de Cristiano, foi indiciado por ocultação de cadáver, fraude processual e associação criminosa.
Paulo da Silva, amigo de Cristiano, foi indiciado por falso testemunho, fraude processual e associação criminosa.
Maria Rosane Domingues Francisco, mãe de Cristiano, foi indiciada por fraude processual e associação criminosa.
Ivone Ruppenthal, sogra de Cristiano, foi indiciada por fraude processual e associação criminosa.
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Cristiano Domingues Francisco, suspeito no desaparecimento da família Aguiar
Renan Mattos / Agencia RBS
O que disseram as defesas à época dos indiciamentos:
➡️ Cristiano Domingues Francisco: "A Defesa de Cristiano aguarda o encaminhamento do inquérito, sendo que, pela finalização das investigações, deverá ter acesso amplo e irrestrito a todos os procedimentos cautelares que se encontram em segredo de justiça, possibilitando um posicionamento mais assertivo."
➡️ Milena Ruppenthal Domingues (mulher de Cristiano), Paulo da Silva (amigo de Cristiano), Maria Rosane Domingues Francisco (mãe de Cristiano) e Ivone Ruppenthal (sogra de Cristiano):
"A defesa de Milena, Paulo, Maria Rosane e Ivone informa que, ao longo do regular trâmite processual, será devidamente demonstrada — com a garantia do contraditório e da ampla defesa — a inocência dos envolvidos, bem como a fragilidade dos indícios apresentados no inquérito policial.
Ressalta-se, ainda, que serão levadas ao conhecimento do Poder Judiciário as irregularidades ocorridas durante a investigação, somadas a eventuais abusos praticados, os quais serão oportunamente apurados pelos meios legais cabíveis.
A defesa reitera sua confiança na Justiça e no devido processo legal, certos de que os fatos serão esclarecidos de forma técnica e fundamentada.
Declaram-se absolutamente inocentes das acusações."
➡️ Wagner Domingues Francisco (irmão de Cristiano): "A Defesa técnica de WAGNER DOMINGUES FRANCISCO, com o senso de responsabilidade que o momento exige, vem a público manifestar-se acerca do Inquérito Policial que apura as circunstâncias envolvendo o desaparecimento da família Aguiar, no município de Cachoeirinha/RS.
A Defesa tomou conhecimento, exclusivamente por intermédio da mídia e de coletiva de imprensa, da existência de 37 medidas cautelares, além de buscas, apreensões e indiciamentos, sem que lhe tenha sido assegurado, até o presente momento, acesso aos respectivos expedientes, circunstância que impede o pleno conhecimento das teses investigativas.
Importa destacar que as imputações até então divulgadas consistem, neste estágio, em meras hipóteses investigativas, ainda não submetidas ao contraditório, sendo o inquérito policial, por sua natureza, procedimento de caráter unilateral.
Reitera-se, por fim, que WAGNER DOMINGUES FRANCISCO sempre esteve, e assim permanecerá, à inteira disposição das autoridades. A Defesa aguarda o acesso integral aos elementos de prova para manifestação oportuna e aprofundada, confiante de que o devido processo legal conduzirá ao pleno esclarecimento dos fatos, com a consequente demonstração de sua inocência e a prevalência da Justiça."
Relembre o caso
Silvana Germann de Aguiar, Dalmira Germann de Aguiar e Isail Vieira de Aguiar
Imagens cedidas/Polícia Civil
O g1 montou a linha do tempo que detalha os principais acontecimentos da investigação. Confira:
Antes do sumiço
2 de janeiro: Silvana Germann de Aguiar solicita, em um grupo de mensagens, o contato do Conselho Tutelar;
9 de janeiro: Silvana comparece ao Conselho Tutelar para registrar que seu ex-marido, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, desrespeitava as restrições alimentares do filho do ex-casal.
O fim de semana dos desaparecimentos
24 de janeiro (sábado): Silvana é vista pela última vez. Uma publicação em seu perfil nas redes sociais dizia que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas que estava bem. Segundo a polícia, o acidente nunca aconteceu e o objetivo da postagem seria despistar o desaparecimento.
Imagens de uma câmera de segurança registraram uma movimentação atípica de veículos na noite de 24 de janeiro:
- 20h34: Um carro vermelho entra na residência de Silvana, e sai oito minutos depois;
- 21h28: O veículo branco de Silvana entra na garagem da casa;
- 23h30: Outro automóvel chega ao local, permanece por 12 minutos e vai embora.
25 de janeiro (domingo):
- Alertados por vizinhos sobre a postagem, os pais de Silvana, Isail e Dalmira Aguiar, saem para procurar a filha. O casal de idosos tenta registrar o desaparecimento na delegacia distrital, mas a unidade estava fechada;
- Segundo a Polícia Civil, após saírem da delegacia, os idosos seguiram para a residência do ex-genro, Cristiano. Em depoimento prestado inicialmente como testemunha, o policial afirmou que o casal teria pedido ajuda para procurar Silvana, já que ele é policial militar. Ele teria dito que estava preparando o almoço e que auxiliaria mais tarde;
- Ainda conforme a investigação, após a visita, os idosos teriam retornado para casa e, horas depois, teriam sido vistos por vizinhos entrando em um carro não identificado, de cor desconhecida. Desde então, não foram mais vistos.
Início das investigações
27 e 28 de janeiro: As ocorrências de desaparecimento são registradas formalmente. O ex-marido, Cristiano Domingues Francisco, comunica o sumiço de Silvana, e uma sobrinha, informa à polícia que os idosos também não foram mais vistos;
28 de janeiro: Cristiano comparece ao Conselho Tutelar para pedir que o filho fique sob sua guarda durante as investigações;
1º de fevereiro: Cristiano envia uma foto de dentro da casa dos sogros para uma conhecida, mostrando o veículo do casal;
3 de fevereiro: A polícia ouve seis pessoas, incluindo o ex-marido e sua atual companheira. Um projétil de arma de fogo é encontrado no pátio da casa dos idosos;
4 de fevereiro: A Polícia Civil confirma que trata o caso como crime, descartando sequestro por falta de pedido de resgate.
Perícias e prisão
5 de fevereiro: A perícia coleta material na casa de Silvana, encontrando vestígios de sangue no banheiro e na área externa.
7 de fevereiro: O celular de Silvana é localizado após denúncia anônima, escondido sob uma pedra em um terreno baldio próximo à casa dos pais;
9 de fevereiro: Reunião de autoridades confirma que o cartucho encontrado na casa dos idosos é de festim (munição não letal);
10 de fevereiro:
- Cristiano Domingues Francisco é preso temporariamente após quebra de sigilo telefônico indicar movimentação suspeita. A reportagem tem acesso a áudios nos quais ele estaria tentando interferir na investigação.
- Familiares e amigos realizam um protesto e caminhada em Cachoeirinha pedindo solução para o caso;
- O filho de Silvana é encaminhado para a casa dos avós paternos.
Em áudio, PM suspeito de matar família no RS pergunta sobre investigação
13 de fevereiro: É divulgado que o suspeito e sua atual companheira se recusaram a fornecer as senhas de seus aparelhos.
20 de fevereiro:
- O policial militar prestou depoimento à polícia. De acordo com a defesa, Cristiano ficou em silêncio;
- Polícia confirma que o mesmo carro entrou duas vezes na residência de Silvana no dia em que ela desapareceu. Contudo, não foi possível identificar a placa. Assim, não se sabe quem é o proprietário.
24 de fevereiro: A perícia do celular Silvana mostrou que o aparelho nunca esteve em Gramado, diferente do que indicava a publicação feita em 24 de janeiro em suas redes sociais.
24 e 25 de fevereiro: O desaparecimento da família Aguiar completa um mês.
Buscas com cães
25 de fevereiro: Silvana é considerada a 20ª vítima de feminicídio no RS em 2026.
26 e 27 de fevereiro: Polícia Civil realiza buscas pelos corpos em áreas de matas e rios próximos a Cachoerinha.
9 de março: Prisão de PM suspeito do desaparecimento é prorrogada por 30 dias.
13 de março: Bombeiros realizam mais trabalhos de busca em áreas rurais da Região Metropolitana de Porto Alegre. Os agentes usam cães farejadores.
24 e 25 de março: O desaparecimento da família Aguiar completa dois meses.
9 de abril: Justiça decreta a prisão preventiva do policial militar Cristiano Domingues Francisco.
Infográfico mostra sequência de fatos sobre o desaparecimento de três membros da família Aguiar no RS
Arte/g1
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